sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Caracol Azul

 
Os meus meninos são um espetáculo!
 
Foi construído com Amor e é partilhado com Amor!
Se sentíssemos a Escola e as Histórias com as crianças...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sorriso agreste.


Oh, Natureza! Nobre testemunha de Vida! E de vidas! Fiel companheira de quem se aventura pelos chãos fora, noite dentro, com a serra feita rumo e a vida como meta.
In O Almocreve

domingo, 17 de novembro de 2013

Voar com o coração!



(...)
Levanto-me, estendo as asas e… sublime, o abismo, uma vez mais! E este formidável deleite de voar!
O Rio, as encostas, o mosto, as rogas, o viver feito de dor e trabalho, levo-os comigo. Quero agora acariciar o rosmaninho e a bela-luz, sentir o paladar fresco da água que rompe da terra nua, apanhar a carqueja, pintar nesgas de sol nos tojos e esconder-me nos giestais de Maio. Quero correr nas cumeadas batidas pelo vento forte e encandear-me com a neve, altaneira, branca e fria.
As encostas continuam a encher os horizontes. Continuam grandiosas e belas! Avassaladoramente belas! Batidas pelo suão. Feitas de matagais rebeldes e de regatos tresmalhados. De carvalhos e castanheiros velhos como o tempo. De muros sozinhos, penhascos e grutas, que apascentam rezes, urgueiras e cardanhos. E veredas, quelhos, caminhos, que, como impressões digitais gastas pelo uso, cruzam as serranias, levando e trazendo venturas e desventuras, calcorreando lágrimas e sorrisos.
E a Senhora, lá no cimo, que da Lapa fez a ara, orientando o meu voar…
É a Serra. O apelo feito amor e o vento feito vida. O tal apelo que me deu vidas.
(...)
César Luís de Carvalho, in Vozes do Douro, 2003







sábado, 16 de novembro de 2013

Tu, poeta!

                                                           TU POETA
Quando crias histórias de príncipes e de batalhas e de ursos e de leões, nas nuvens que mancham de algodão o céu azul...
quando te deixas invadir pelo canto dos grilos ou pelo gorjeio dos rouxinóis, nas noites cálidas...
quando te sacias com o odor da terra molhada depois da chuva estival...
quando descobres sinfonias nas águas marulhantes do riacho...
quando, enlevado, segues o bailado da folha impelida pelo outono ou testemunhas o rebento que a primavera empertiga...
quando acaricias o musgo que adocica a rocha agreste...
quando beijas ou quando choras, ou quando deixas que no teu rosto desponte um sorriso...
quando ajeitas o cabelo daquela que tu bem sabes...
estás a poetar!

                                                                                                                                               César Luís de Carvalho

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Que paz...



AQUELA VELHA!


Aquela velha, coitada!
Se lhe soubessem a vida,
Não passaria na estrada
Assim desapercebida.

Vive só; mas vive agora,
Que num tempo já volvido
Houve na casa em que mora
Filhos, netos e marido.

Morreu primeiro o marido
De uma morte desastrosa;
Com o coração partido
Rezou por ele, piedosa.

Morreram-lhe os filhos todos
No tempo da epidemia;
Ela com os mesmos modos
Rezou de noite e de dia.

Ficara só com três netos;
Morreram de tenra idade;
E ela, viúva de afetos
Venceu, rezando, a saudade.

E ainda vive! O que alenta
Aquela alma atribulada?
É a fé que lhe alimenta
Uma crença inabalada.

Ai, quem me dera esse alento
Nestes combates da sorte!
Que paz para o pensamento!
Que paz na hora da morte!


Júlio Dinis nasceu no dia 14 de novembro de 1839.