AQUELA
VELHA!
Aquela
velha, coitada!
Se
lhe soubessem a vida,
Não
passaria na estrada
Assim
desapercebida.
Vive
só; mas vive agora,
Que
num tempo já volvido
Houve
na casa em que mora
Filhos,
netos e marido.
Morreu
primeiro o marido
De
uma morte desastrosa;
Com
o coração partido
Rezou
por ele, piedosa.
Morreram-lhe
os filhos todos
No
tempo da epidemia;
Ela
com os mesmos modos
Rezou
de noite e de dia.
Ficara
só com três netos;
Morreram
de tenra idade;
E
ela, viúva de afetos
Venceu,
rezando, a saudade.
E
ainda vive! O que alenta
Aquela
alma atribulada?
É
a fé que lhe alimenta
Uma
crença inabalada.
Ai,
quem me dera esse alento
Nestes
combates da sorte!
Que
paz para o pensamento!
Que paz na hora da
morte!Júlio Dinis nasceu no dia 14 de novembro de 1839.
Que belo!
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